45,7% à venda. Acionistas privados da Agência Lusa querem alienar participação

"O Grupo Bel e a Global Media publicitaram a sua intenção de alienarem as suas participações na Agência Lusa", anunciou esta quarta-feira o Ministério da Cultura, que detém a tutela, em comunicado enviado às redações.

RTP /
O ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva, tem entre mãos a responsabilidade de encontrar novos acionistas para a Agência Lusa por forma a garantir a independência editorial desta José Sena Goulão - Lusa

Os dois acionistas perfazem 45,7 por cento do capital da agência noticiosa portuguesa.

"Em face destes desenvolvimentos, e considerando o serviço público fundamental prestado pela Lusa, o Estado procurará uma solução que preserve o papel estratégico da agência", lê-se no comunicado.

O Ministério explica que a decisão do Grupo Bel e da Global Media se deveu à "entrada de um novo acionista no capital da Global Media – o UCAP Group, uma sociedade gestora de fundos suíça. O ministro da Cultura foi, aliás, informado desta intenção".

A Agência Lusa já pediu entretanto a "uma empresa de consultadoria e auditoria um estudo de avaliação do valor dos seus capitais próprios - que já foi concluído e está, neste momento, a aguardar parecer dos serviços do Ministério das Finanças" acrescenta a tutela.
"Eventual reforço do peso acionista do Estado"
"Concluído este processo e caso haja acordo com o Grupo Bel e a Global Media quanto ao valor da operação, os restantes acionistas privados serão contactados, com o objetivo de apurar da sua disponibilidade para acompanharem um eventual reforço do peso acionista do Estado", adianta o comunicado da Cultura.

A preocupação da tutela é garantir a plena "independência editorial" da Agência Lusa, mostrando-se "disponível" para debater a questão com os partidos com assento parlamentar.

"A concretizar-se uma alteração da estrutura acionista da Lusa, esta operação implicará necessariamente uma revisão do modelo de governação da Agência, de modo a garantir que não haja nenhum risco de interferência política na sua independência editorial", refere o Ministério tutelado por Pedro Adão e Silva.. 

"Esta revisão do modelo de governação obriga a um diálogo com os partidos com assento parlamentar, para o qual o Governo está inteiramente disponível", sublinha o comunicado.

Em 04 de agosto, o empresário Marco Galinha confirmou à Lusa que o grupo Bel "vendeu parte da Global Media" a um fundo e que "não parece de interesse estratégico" ter participação na agência de notícias.

com Lusa
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